Janelas quebradas

Já se passaram seis dias… E hoje,  com a certeza do fim de mais uma ilusão,  me pergunto se devo recomeçar a contar ou se devo parar completamente. 
Meu sonho é muito banal,  o mesmo de sempre,  o mesmo de todos… Amar e ser amado.

Depois de tantos poemas sobre o amor,  sobre o felizes para sempre,  sobre a perfeição dos relacionamentos… Depois de muito tempo passado,  ilusões quebradas,  sonhos refeitos conforme a realidade de cada um,  a carcaça do que somos deve ser refeita.  Em nome do amor se morre e em nome do amor se renasce.  Será esse o sentido da vida? 
O amor próprio hoje visto como o grande solucionador de todos os casos deve superar todas as expectativas de um amor coletivo?  A dois,  a três…

Ela já não sabia até que ponto deveria almejar o amor… O que todos dizem é que deve deixar de buscar e aproveitar apenas os bons momentos. Mas não é isso tão somente o que ela deseja? Ser coroada de bons momentos… desejar que esses bons momentos sejam parte de uma única história soa como pecado. Olhar pra dentro de si mesma tem se tornado uma nova vida. Em nova instância, se reconhecer ou se aprender para viver.

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Palavras

Tudo parecia perfeito… Você me ensinou a aceitar,  a amar sem medidas,  sem cobranças,  sem anseios,  e intensamente.  Mas havia mais que isso… Havia necessidades que não deixariam de gritar… Elas sempre gritam… E como berram alto…
A minha era ser amada… A sua era falar.
A minha se alimentava de seus beijos,  de seu gozo…
A sua,  se alimentava quando esvaziava todas as frases que você precisava gritar.
E você me ensinou a escutar e não somente ouvir… E eu bebia com sede intensa todas as palavras que por vezes pareciam sem sentido… Mas que juntas tinham tanto significado.

Não nos sobrou tempo… O tempo se esgotava entre o  gozar e o escutar. Eu não pude dizer onde doía e onde você não devia tocar… E você foi me tocando inteira e eu fui me permitindo tocar pela primeira vez… Mesmo quando doía,  era uma gostosa experiência do aprender.  Eu sabia que sempre sairia da cama levando a sabedoria que me faria ser feliz enquanto esperava… E como esperava…

Mas não adiantou que eu achasse que estava pronta… Talvez não estivesse pronta pra isso…  E por tão pouco doeu tanto… Tanto,  tanto…  E não era nada pra você… Afinal de contas,  vc não me conhecia.  Não me conhece.

Não foi por maldade… Mas sem maldade também dói… É uma dor diferente porque é uma dor seca,  sem eco,  que não se reflete sobre quem a causou… Mas o que será daqui pra frente?  Imaginei um final diferente… Sim,  imaginei coisas,  a gente sempre imagina… Imaginei aprender mais e ensinar um pouco… Imaginei amar mais e de repente estar pronta pra deixar de brincar e ter minha própria história. Achei até que terminaria e que eu levaria uma história comigo…

Mas não há história.  Há o eco intermitente de suas palavras… Uma frase simples que ganhou um tom mais cruel do que eu podia suportar.  ” A casa dela é cheia de fotos nossas espalhadas.” 

Só isso… Só essas palavras me roubaram o brilho… Me roubaram o aprendizado,  me roubaram a esperança. História.  Todos precisam de uma… Não importa quantas você tenha,  quantas você viva… História… É isso…

Não sou história,  nem aspirante a história,  nem estou na lista de classificação para ter uma história. Nunca estive.  Hoje,  ontem,  um dia…

Não posso dizer que não guardei nenhum aprendizado. Não era o que eu queria,  mas certamente vai servir. Há que se ter cuidado com as palavras. Há que se tocar com carinho onde dói no outro… Há que se ter vontade de conhecer as pessoas.  Há que se viver sem as ilusões da alma,  mas há que se pensar que ainda que só te sirva um corpo,  lá também mora uma alma.

Tendo lido ontem a sensação de quando te vi pela primeira vez… Não imaginei escrever hoje como te vi pela última.

Filhos

Há que se diga que existe um ditado assim: Filhos, melhor não tê-los…

Não sei quem disse a frase ou se realmente alguém filosofou a respeito desta forma. Ou se de repente a frase perdeu o contexto original e após sucessivas repetições foi perdendo o sentido transformando-se como num telefone sem fio. Enfim…

Não pretendo discutir aqui a veracidade e teor da frase, apenas compartilhar um pouco da minha experiência como mãe.

Hoje, tenho 36 anos e um filho de 14. Lembro-me que no meu tempo (primeiro indicio de choque de gerações), anos 80, aos 14, éramos crianças. Hoje, são pré-adolescentes. Eu nem lembro de ter sido pré-adolescente, então, imaginemos como tem sido difícil lidar com essa novidade.

O plano era ser primeiramente diferente, completamente diferente dos meus pais. A ideia inicial era ser amiga, escutar(obviamente antes de perceber a quantidade de argumentos que existe), estabelecer uma relação de confiança e respeito e mais uma série de teorias legais.

Mais uma vez não recordo onde li, mas acho muito interessante e ficou registrado antes mesmo de me tornar mãe: mãe não é amiguinha.

É bárbaro perceber isso, e também um choque. Porque a mãe quer ser amiga do filho, mas a relação maternal vai muito além, e os limites, se impostos fora do tempo, acabam sendo mais difíceis para a mãe do que para o filho.

Acredito que muitas mães de primeira viagem têm entrado em choque ao perceber que ser somente amiguinha não vai ajudar na construção de uma identidade digna do filho. Espero que possamos vencer essa barreira o mais cedo possível e deixemos de achar que um SIM seja sinal de amor maior que um NÃO.

É dentro de mim que tudo acontece…

Da janela da minha alma,  permaneço a espera de algo que me tire desse estado,  o qual não consigo segue nomear.  Muitos esperam olham por uma janela de vidro,  madeira ou outro material qualquer.  Eu estou do lado de dentro de mim.  Amarrada à janela,  não posso olhar pra dentro e apesar de constantemente olhar para fora,  não consigo me sentir parte de tudo que por lá acontece.  Sim,  parece louco,  eu mesma cheguei a acreditar que era loucura,  até ter certeza de que era a mais pura e simples verdade.  Então,  resolvi espiar de outro modo… Caminhando do lado de fora… Conhecendo,  descobrindo… E tantas tem sido as surpresas… Já não sei como voltar, nem descobri como viver por aqui… Tudo permanece estranho e expectativas são tudo que tenho.  Frustradas e renováveis… Permanentementes desajustadas.  Causando hoje espanto e não mais dor… E talvez essa seja sim uma grande vantagem.  E o medo de perder essa chance e recomeçar, começa a perder força.  A possibilidade de viver o suficiente em algum momento me livra com um pouco de descaso da angústia de tornar a ser… Cruel e solitário? Talvez…  Mas real. E após décadas de convivência com o surreal,  agradeço por qualquer mísera oportunidade de aceitar o que tenho.

De lagarta a casulo…

Sempre pensei em escrever um livro… Rascunhos sem fim foram se perdendo pelo caminho.  Pensamentos loucos cruzavam o que eu colocava no papel e ainda agora me perseguem enquanto digito. Nada me parece digno de continuação… Nada me parece permanente o suficiente para se transformar numa história.  E quer saber,  hoje continua tudo do mesmo modo… Mas eu estou diferente.  E talvez seja esta a verdadeira inspiração para algo maior. Além da garantia eterna do nada acontecer… Pode acontecer tudo o mais… Sempre. 

Houve um tempo em que achava que não podia escrever porque somente coisas ruins sairiam… Pensamentos de uma época triste insistiam em invadir cada linha escrita. Falar agora somente de sonhos e coisas boas tem um significado enorme para mim. Significa a cura,  ou inicio dela.  Significa que não sou mais aquela pessoa que vivia do amargor das recordações.  Significa uma nova fase.  Uma nova etapa.  Um novo caminho que estou livre para percorrer.

Então viaja comigo… Por aqui tudo é real e possível.  Cada pensamento, cada sentimento,  cada palavra ecoa nos corações sonhadores como o meu.

Alprazolam e uma nova rotina

Pode parecer estranho começar um blog escrevendo direto sobre o motivo fim deste, mas eu sou assim…e enquanto não durmo, enquanto não parto, vou escrevendo por aqui sobre o que me der na telha. No caso o que está me dando na telha é fazer um registro dos meus primeiros dias de nova medicação.

Fui ao psiquiatra novamente… sempre vou… afinal já estava com a cognição extremamente prejudicada em virtude da falta de sono e ansiedade.

Depois que meu filho sofreu diversos assaltos num mesmo mês, posso dizer que minhas crises de ansiedade chegaram no limite. Cheguei a acreditar que nem mesmo a morte seria capaz de resolver aquele problema… Mas isso eu também vou contando depois…

Tenho certa dificuldade em dar continuidade às coisas…todas elas… nesse breve momento entre a primeira palavra deste texto e essa que não chega a metade do quero dizer, já pensei tantas coisas que não sei ao certo se poderei explicar aqui o que gostaria quando pensei em escrever.

O médico me passou uma nova medicação, e pediu que eu retornasse em 15(quinze) dias para ver como eu me sentia… já gostei muito disso…nada de me enfiar remédios goela abaixo e mandar retornar 03(três) meses depois, muito mais respeito ao cliente/paciente. Tentei colocar cliente pra ficar bonitinho, mas acho tudo uma merda mesmo. Acho que o blog sendo meu, falar merda, que nem considero palavrão, pode, né?

Enfim, a receita mandava tomar alprazolam à noite, meia hora antes de pensar me dormir…o que deveria ser cedo, mas no primeiro dia, só lembrei mesmo de tomar pouco antes das uma da madruga…afinal de contas era sexta, eu folgaria no sabado e poderia muito bem dormir até mais tarde.

Apesar de estar há muitas semanas dormindo fracionado e alternando muitas horas de vigília, ainda estava sem conseguir dormi… a dose do remédio era fraca e o médico disse que caso não funcionasse, eu tomasse dois comprimidos até que ele ajustasse a dose. Essa frase já me deixou um pouco desanimada.

Além do alprazolam, eu deveria tomar logo após o café, uma dose de bupropiona. Esse não comprei no mesmo dia porque não achei em diversas farmácias para pesquisar e era caro, então o de dormir era mais importante…pelo menos por enquanto.

Enfim, tomei o bendito… pequenininho…bonitinho…fumei um cigarro…provavelmente o décimo do dia e fui deitar…sem boicote… toda certinha. Sem auto sabotagem.

A primeira impressao foi: Fudeu, as horas continuam passando, eu não consigo dormir e se eu levantar, vou acabar enfiando toda aquela cartela de remédio goela abaixo. Então, resolvi esperar um pouquinho e confiar… nem senti quando o sono veio… mas reparei que os pensamentos malígnos e difusos já naõ estavam presentes…

Talvez, a dificuldade em encontrar o sono, tenha sido justamente a ausência de todos aqueles que me acompanharam por tanto tempo na cama…ir pra cama sozinha depois de tanto tempo soava estranho…muito estranho…

Acordei cedo…mais cedo que imaginava e do que acordaria com um rivotril, dormi 6 (seis) horas seguidas pela primeira vez em tanto tempo que não lembro pra colocar como referência…em outra inferências ao rivotril, apesar de calminha, não durmo um sono tranquilo, acabo sempre acordando com qualquer barulho… mas acordei inteira… sem sono, sem torpor, sem dor na nuca, sem dor de cabeça… uma extraterrestre em mim mesma… uma nova e estranha criatura que eu estava disposta a dar lugar pra aparecer em minha vida…